Padre Dário: Pai no espírito - Testemunhos


Padre Dário - Fundador

Padre Dario tinha um verdadeiro coração de pai e se preocupava por todas as necessidades de suas filhas. Antes de tudo cuidava do espírito e da meditação. Amava a todas sem distinção alguma e sempre tinha uma palavra de encorajamento e de conforto. Suas admoestações soavam mais como recomendações. Em nosso coração não ficava nenhuma amargura, e sim o amor. Olhava-nos sempre com um sorriso e, desta forma, conquistava nossa confiança.
Amava todos os seus pobres. Mesmo tendo errado, ele os acolhia com bondade.
Celebrava a Missa com tamanho fervor que, ouvindo suas palavras e vendo sua postura, eu sentia aumentar minha devoção também.
Irmã Ignazia Simioni

Em 1925, Padre Dario contraiu uma paresia. Os médicos o aconselharam a ir a Baveno, curar-se nas águas termais e ele veio até Varese. Ia, duas vezes por semana, a Baveno,acompanhado pela Irmã Vincenza. Eu tive também sorte de acompanhá-lo algumas vezes. No barco me fazia a meditação, falava da vida interior, de coisas espirituais, e eu ficava muito feliz. Uma vez fomos ao Monte Santo de Varese.Celebrou a Missa aos pés da Virgem e rezamos pela sua recuperação. Éramos felizes.
Irmã  Fidelis Fumagalli
 
Entre tantas outras coisas, o que mais me impressionou foi sua caridade diante de minhas pequenas vicissitudes e angústias. Sem que eu abrisse a boca, ele já tinha compreendido. Constatei isto, de modo especial, durante meu período de aspirante. Um dia ele entrou na escola. Estávamos em três aspirantes. Ele pegou o caderno de cada uma e no meu ele escreveu: “Vá em frente com Deus e sempre junto a Ele”. Parecia que ele tivesse compreendido meu estado de animo.
Irmã Gabriella Giussani
 
Em 1920, passou na minha Paróquia um padre que falou de uma nova ordem de Irmãs chamada “Filhas de Santo Eusébio”. Meu confessor, que já sabia de minha vocação, me fez um sinal, mas ambos estávamos indecisos, porque pouco ou nada se sabia sobre a finalidade desta ordem religiosa e também as exigências de enxoval, dote, etc... que tinham importância, nas condições de minha família.
Meu confessor escreveu a Vercelli pedindo informações. Padre Dario escreveu de modo a eliminar qualquer dúvida que tivesse: “Não me importo com enxoval e dote. A Providência se ocupará disto e tudo suprirá, basta que sua vocação seja autentica”. Assim entrei no convento em Vercelli.
Irmã Caterina Rivan
 
Em 1920, depois da minha vestição religiosa, estava ajoelhada, junto com outras noviças, para pedir a benção. O Padre nos disse: “Queridas filhas, estamos ampliando a casa, por isso se pede tanta coisa de vocês”. Nós ficamos perplexas, sem saber o que dizes. Perguntei, então: “Padre, o que quer que façamos? Nós somos pobres, ignorantes e sem qualificação alguma”. Ele respondeu: “Queridas filhas; não é preciso ser nem mestras, nem professoras, nem bordadeiras para que a casa de Deus floreça. A mim basta o bom senso e o desejo de serem santas religiosas”.
Irmã Alfonsina Battarino
 
No dia de minha entrada em convento, a 28 de outubro de 1924, pela tarde, a Irmã Mestra me apresentou ao venerável Padre. Não sei nem descrever quanto foi consoladora a impressão que dele tive, de seu coração paterno e o doce sorriso nos lábios, me acolhendo com santo entusiasmo e dirigindo-me palavras de encorajamento para seguir com fidelidade e perseverança o chamamento de Deus a seu serviço.
Durante o segundo ano de noviciado, um dia eu estava sozinha limpando os quartos dos pobres e estava um pouco angustiada. De repente vi diante de mim o Padre o qual percebeu meu estado de espírito e perguntou pelo motivo. Dirigiu-me palavras de encorajamento, dizendo que tudo o que obscurece o espírito é obra do demônio. E acrescentou: “Seja alegre e sirva o Senhor na alegria”. Foi o suficiente para me restituir no animo a tranqüilidade.
Irmã Olimpia Paleari
 
Lembro minha entrada na vida religiosa, o dia 20 de janeiro de 1923, quando me encontrei com Padre Dario pela primeira vez. Causou-me uma ótima impressão. Parecia-me estar vendo um santo. Acolheu-me com amor paterno, me encorajou com seu jeito alegre e seu sorriso. Mostrou-me a Casa. Também meus parentes ficaram edificados com aquele santo sacerdote.
Sabendo que era tímida, toda vez que me encontrava, ele me encorajava com seu sorriso e com suas palavras paternas que davam uma grande paz e tranqüilidade a meu espírito.
Irmã Raffaella Ratti
 
Quando eu encontrava Padre Dario ele me perguntava: “Rezou? Meditou? Quê propósito fez?”. Depois acrescentava: “Tenha fé e confiança em Deus, porque é o único modo de vencer e superar as dificuldades”. Suas palavras penetravam em meu coração como gotas de bálsamo espiritual e me davam uma enorme alegria e serenidade para perseverar em meu caminho.

Irmã Speranza Fantinato
 
Para suas filhas, as quais ele queria ver santas e perfeitas, Padre Dario escreveu de joelho as santas regras, principal caminho para a santidade.
Irmã Giorgina Martinello
 
A bondade paterna de Padre Dario ficou gravada no meu coração e todas as vezes que falo dele às irmãs me sinto comovida ainda depois de vinte anos. O Padre falava pouco, preferia escutar, mas suas palavras deixavam em minha alma uma marca indelével.
Eu tinha feito a vestição há pouco tempo (14 de setembro de 1924) e, por necessidade, o Padre teve que me mandar substituir uma irmã (Arcângela) para assistir a um doente numa família.
Eu não estava muito bem de saúde e o Padre estava preocupado. Durante três manhãs seguidas me esperou à porta para saber como eu tinha passado a noite.
Na segunda manhã a Irmã Giovanna convidou-o a se preparar para a Missa mas ele continuava a me esperar. Quando cheguei, a Irmã Giovanna estava resmungando e dizendo que não era o caso de perder tempo com uma noviça. O Padre simplesmente distribuiu um sorriso a nós duas.
Senti-me revigorada e animada. Entendi ter encontrado um verdadeiro pai.
Em Varese, em 1927, era a quarta vez que eu tinha quebrado o vidro do relógio, além de outras coisas. Não queria contar para a Superiora, achando mais fácil dizer ao Padre que naquele tempo estava convalescente em nossa casa. Ele, percebendo meu acanhamento, me disse com jeito paterno: “Se você está com medo eu também estou!” querendo, com isso, me ensinara ser mais simples (virtude característica dele). Fui ter com a Superiora e voltei ao Padre com esta saída: “Se o senhor aprova deixo o relógio na gaveta e assim não o quebro mais”. Ele, porém, com um gesto familiar, passou a mão na minha cabeça, num misto de caricia e pescoção: “Não, minha filha, você age como aquele que escondeu o talento para não se atrapalhar”.
Nunca o encontrava sem que desse alguma lição e incentivo, de modo que me alegrava sempre que tinha ocasião de falar com ele.
Poderia contar uma porção de fatos como este.
Irmã Flavia Fantinato
 
Em 1928, quando entrei no convento, nosso Padre Fundador já estava doente. O que mais me marcou é que, embora doente e preso a uma poltrona, sempre que ele via a nós, aspirantes, nos sorria paternalmente e nos encorajava. Fazia apenas oito dias que eu tinha saído de casa e estava abatida. Por acaso vi o Padre. Ele me olhou e, com seu olhar paterno, leu meu interior e disse: “Coragem, filha, doravante eu serei teu pai e a Irmã Eusébia, sua mãe”. Para me alegrar ele se pôs a cantar “Eleonora, adeus!”, porque este era meu nome.
Quando era noviça, em 1930, estava voltando da Missa e o Padre se encontrava na cama. Chamou-me até ele, me enlaçou com o braço, dizendo: “Sabe, Eleonora, também eu tenho Jesus no meu coração”. E chorava de satisfação porque alguém levara Jesus até ele.
Como era apaixonado por Jesus Sacramentado!
Irmã Costanza de Conto
 
Seria longo narrar os fatos imemoráveis de nosso Fundador. Ele possui uma modéstia e humildade a toda prova. “Sou um pobre que atrapalha tudo”, dizia com sinceridade convicta.
O que dizer, então, de seu espírito de mortificação? Nunca se soube de suas preferências de alimentação. Quantas vezes voltava de Torino, Biella e de outras cidades, pelas três ou quatro da tarde. “Caro Padre, por onde andou, não encontrou nenhuma lanchonete?”, perguntava a Irmã de plantão. Ele respondia sorrindo: “Estavam todas fechadas. Arranja-me qualquer coisa”. Ele era todo solicito para com os outros e nada consigo mesmo.
Em meio a provações, calunias, incompreensões e mal-entendidos mantinha sempre a paz e a serenidade em seu coração magnânimo e seus olhos irradiavam candura e simplicidade.
Quando celebrava Missa, ele ficava tão absorvido que parecia um anjo. Recitava palavra por palavra principalmente no momento da Consagração.
Tinham um caráter manso, alegro e sereno, mas era exigente e severo quanto à observância das Constituições. Amava tanto o silencio e o recolhimento que, durante o dia, encontrando-o pelos corredores junto a sacerdotes que visitavam a Casa, pedia a uma ou outra irmã: “Diga-me a meditação desta manhã. O quê Jesus lhe sugeriu? O quê você prometeu fazer?”.
Cada dia Ele ia ver seus “queridos patrões” como ele chamava os deficientes e exultava quando estava no meio deles. Com seu lenço lhes limpava o nariz, a boca, o rosto, as mãos, beijando os mais abandonados, e exclamava: “Oh, meus tesouros! Ai! Se ele ficava sabendo que alguma Irmã tinha sido impaciente, grosseira ou nervosa com algum deles! Seu semblante, sempre sereno, se entristecia. Chamava a irmã a parte e lhe fazia ver com vigor e amor a graça de poder servir a Jesus vivo naqueles pobres infelizes.
Quanta caridade ele soube infundir em nossos corações juvenis! Quanto espírito de abnegação e austeridade consigo mesmo e quanta prodigalidade para com os outros!
O que dizer da capela e das celebrações? Quando havia alguma festa solene ele convidava os Monsenhores e Cônegos da Catedral e ele próprio servia a Missa, como um coroinha qualquer. Os paramentos deveriam ser os mais belos, de seda pura e ele dizia: “É Jesus que manda a Providência. Portanto, não se deve calcular o custo para enfeitar seu templo”. Nós herdamos este amor ao culto a Deus, à Virgem, a São José, a Santo Eusébio e aos outros santos.
O venerável Padre Fundador tinha um dom especial, uma intuição profética. Quando chegavam as novas candidatas ele as olhava nos olhos, as interrogava e observava na capela, nos trabalhos ordinários e depois sentenciava: “Esta será uma boa Irmã de Santo Eusébio, aquela me inspira pouca confiança” e manifestava suas intuições à Mestra e a Madre Eusébia. Um dia, em 1922, lembro como se fosse hoje, estava sendo construída uma nova ala da Casa e nós, aspirantes, noviças e junioristas ajudávamos a trazer tijolos e pedras aos pedreiros e o Padre, mais que a Madre Eusébia, observavam-nos sorrindo. Madre Eusébia comentou: “Aquelas duas aspirantes (Irmã Alfonsa e Irmã Camilla), prometem muito”, mas o Padre com voz baixinha respondeu: “A primeira, sim, a outra, não”. Sem que eles percebessem captei a frase que guardei sigilosamente e, com o passar do tempo, aconteceu como o Padre tinha prognosticado. Isso aconteceu outras vezes.
Desejava o melhor, queria que as irmãs estivessem à altura de suas tarefas, de sua missão em cada campo e insistia que estudassem os diplomas oficiais. Entretanto, como os trabalhos na enfermaria e outros absorvessem pessoal, as conselheiras eram contra esses estudos mas o Padre insistia dizendo que o futuro da Congregação exigia este sacrifício.
Estava em voga o ditado: “mais vale um burro vivo que um doutor morto”. “Por que fazê-las estudar para professoras? Basta que sejam enfermeiras, pois esta é a nossa missão”. E diziam-se outras coisas deste tipo. O venerável Padre era perseverante, delicado no trato, afável e desta forma acabava convencendo as mais teimosas. Ele entrevia a importância de ter pessoas instruídas.
Um dia, eu estava um tanto desanimada. Fui pedir-lhe que me dispensasse dos estudos, pois tinha ouvido umas irmãs se queixarem bastante  da sobrecarga de trabalho com os doentes enquanto as estudantes nada faziam, na opinião delas. O Padre, com mansidão e determinação me disse: “Prossiga e obedeça sem ligar para estas conversas. Faça isto por Jesus e por mim também e você fica proibida de continuar estas fofocas. A finalidade principal da vida religiosa é a obediência”.
Quantas vezes agradeci ao Senhor de ter tido a graça de velar, de noite, em sua longa enfermidade, o santo Padre Fundador.
Irmã Maria Proserpio

 

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